Fanfic: Batman Resigns – Parte 4

BATMAN RESIGNS

Capítulo IV

“Creio que encontrei meu santuário. O calor humano demonstrado por Wilfred é a cura certa de meus males. Porém, será ele a única pessoa especial que encontrarei em Castlewood? Ou haverá mais alguém?”.

bat4Enquanto estivera cingido pelos braços de Wilfred, Bruce por um momento sentiu que voltara à infância e era abraçado por seu falecido pai. Há tempos não recebia tanto carinho vindo de uma pessoa. Sorridente e visivelmente realizado, o mordomo disse:

–       Cuidarei de tudo para que sua estada aqui no condado seja confortável e prazerosa, Bruce. O sobrinho de Alfred merece tudo do bom e do melhor!

–       Aceite meu sincero obrigado, Wilfred – respondeu o milionário, caminhando junto com o idoso até a entrada da mansão. – Recentemente minha vida perdeu completamente o sentido, mas espero encontrar aqui um motivo para persistir, um motivo para continuar na penosa luta da existência.

–       Queira entrar, Bruce – falou Wilfred, abrindo a porta com toda a reverência comum aos serviçais britânicos.

Foi nesse momento que, fitando o empregado com atenção, o órfão dos Wayne percebeu que ele já tinha idade bastante avançada e, por mais que tentasse esconder, sofria com as dores e a fraqueza ocasionadas pela velhice. Wilfred era poucos anos mais novo que Alfred, e provavelmente dentro de algum tempo teria o mesmo destino do irmão… Como Bruce gostaria de poder vencer a morte! Desejava poder evitar que ela levasse embora as pessoas que tanto amava, mas era impossível… Isso fez com que se lembrasse de uma conversa com seu falecido mordomo, na época em que o Sr. Frio agia em Gotham…

Bruce não estava bem. Acabara de ter outra discussão com Dick a respeito das regras às quais ele deveria obedecer caso quisesse continuar sendo parceiro do Batman no combate ao crime. Ele simplesmente não era capaz de aceitar a posição de Wayne no que se referia a arriscar a vida. Buscando conselhos e uma palavra amiga, o milionário adentrou o quarto de Alfred, onde este o congratulou logo que cruzou a porta:

–       Parabéns por sua captura do Sr. Frio. Batman monopolizou as notícias noturnas.

–       Obrigado – agradeceu Bruce num tom seco.

O mordomo, notando que o patrão estava pensativo, senão atordoado em relação a algo, perguntou sem pestanejar:

–       Há algo errado, senhor?

–       Alfred, eu sou autoritário? – indagou o alter ego do Batman, exigindo sinceridade com o olhar. – É sempre do meu jeito ou rua?

–       Sim, na verdade. A morte e o acaso levaram seus pais. Mas ao invés de se tornar uma vítima, você fez tudo ao seu alcance para controlar o destino. O que é o Batman senão um esforço de dominar o caos que assola nosso mundo, uma tentativa de controlar a própria morte…

Imerso em lembranças boas e ruins, Wayne inquiriu, cabisbaixo:

–       Mas eu não posso, posso?

–       Não, meu garoto. Eu temo que nenhum de nós possa…

O hall da mansão era extremamente amplo e luxuoso, digno de uma família pertencente à nobreza da Grã-Bretanha. Junto às paredes era possível ver várias armaduras medievais atrás de vidros blindados, empunhando espadas e outras armas, de pé. Uma grande escada de mármore que se dividia em duas levava ao andar superior. No teto estava pendurado um lustre do século XIX em notável estado de conservação, e no chão, diante da porta de entrada, havia novamente o emblema do condado, retratado ali de forma imponente.

–       É sem sombra de dúvida uma linda casa – afirmou Bruce, maravilhado. – Quantas pessoas vivem aqui?

–       Além dos empregados, apenas lady Elizabeth Castlewood – respondeu Wilfred.

–       Lady Elizabeth?

Nesse exato instante, como se houvesse ouvido a indagação de Wayne, uma jovem começou a descer pela escadaria do hall. Tinha os cabelos loiros molhados, levando a crer que acabara de sair do banho. Trajava uma camisa cinza e uma saia xadrez, calçando sandálias. Bruce ficou totalmente fascinado por aquela mulher de corpo perfeito e belos olhos brilhantes, sem contar seu sorriso angelical, o qual surgiu em sua face assim que se aproximou dos dois homens.

–       Vejo que temos visitas! – disse ela com imensa simpatia. – O senhor deve ser Bruce Wayne, o filho preferido de Gotham!

–       Bondade sua, senhorita – replicou o visitante num sorriso, apertando calorosamente a mão direita da jovem. – Muito prazer.

–       O prazer é todo meu. Sou Elizabeth Castlewood (Denise Richards). Muito me alegra saber que o patrão do falecido irmão de Wilfred veio passar um tempo aqui no condado. Ouvi falar muito bem do senhor, espero que goste daqui.

–       Muito obrigado. E deixemos de lado as formalidades a partir de agora, pode me chamar apenas de Bruce.

–       OK, Bruce – riu a proprietária da mansão, ampliando o sorriso. – Chame-me de Elizabeth ou se quiser, apenas de Beth!

–       Seus pais lhe deram um nome de rainha, milady, sou da opinião que todos a devam chamar de Elizabeth – observou o mordomo com certa seriedade.

A linda jovem apenas deu um soco de leve num dos ombros do empregado e mostrou-lhe discretamente a língua, fazendo-o sorrir em resposta. Em seguida ela disse a Bruce:

–       Wilfred o levará até seus aposentos no andar de cima. Acredito que os achará bastante confortáveis e acolhedores. Nos vemos no jantar.

–       Será um prazer.

Elizabeth deixou o hall por uma porta, enquanto Wayne e Pennyworth subiam as escadas, o segundo levando a bagagem do hóspede mesmo após este ter insistido para que não o fizesse. Não conseguia tirar de seus pensamentos o sorriso da lady. Ela com certeza era uma das mulheres mais atraentes que ele já vira desde que nascera. Sentindo-se realmente bem pela primeira vez após vários dias de tristeza e amargura, Bruce ficou ainda mais convencido de que o interior da Inglaterra seria o local perfeito para livrar-se de tudo que lhe fazia mal.

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Asilo Arkham, Gotham City.

Com uma prancheta numa mão e uma caneta na outra, a psiquiatra Harleen Quinzel, seguindo por um corredor pouco iluminado repleto de portas de celas, fazia anotações a respeito dos quadros dos vários internos no lugar. Entusiasmada com seu trabalho, ela até falava em voz alta o que anotava no papel sem nem ao menos perceber:

–       Edward Nigma ainda pensa que é o Batman… Arnold Wesker apresentou melhoras, conseguindo passar um tempo maior sem seu boneco… Será que ainda há algum criminoso megalomaníaco cujo quadro não analisei?

Súbito, a doutora ouviu uma gargalhada um tanto distante. Intrigada, olhou ao redor, procurando definir de qual lado do corredor o som viera. Alguns segundos depois a risada se repetiu, agora mais próxima. Um pouco assustada, Harleen exclamou, temendo ser algum doido varrido que por eventualidade escapara da cela:

–       Tem alguém aí?

–       Apenas eu, minha querida! – respondeu uma voz vinda de trás da psiquiatra, extremamente próxima.

Num gritinho de susto, Quinzel se virou, deparando-se com a pessoa que menos esperava encontrar no Arkham, e ao mesmo tempo a que mais quisera conhecer desde quando começara a trabalhar naquele ramo, a poucos metros de si. Pele branca, cabelos verdes, um eterno sorriso no rosto. Usava um terno roxo que combinava com a variedade de cores que compunha sua insana aparência. Ele estava bem ali, diante dela. Jack Napier, o Coringa. A doutora balbuciou, incrédula:

–       Não… Não pode ser…

–       Acredite, sou eu, minha cara! – disse o criminoso, rindo sem parar. – Em carne, osso, e bom humor!

–       Mas, você morreu… Batman o matou!

–       Batman, Batman… – resmungou o palhaço em tom jocoso, aproximando-se. – Por que todo mundo fala desse maldito morcego? Eu tenho muito mais graça que ele! Aliás, você deve concordar, pois soube que é uma grande fã minha!

–       Eu apenas estudei minuciosamente seu quadro clínico… E confesso que sua neurose é fascinante!

–       Minha neurose? – indagou Coringa, segurando o queixo da psiquiatra. – Alicia falava a mesma coisa, ha, ha, ha, ha, ha, ha, ha, no fundo vocês são todas iguais! A questão é que você definitivamente não é de se jogar fora, doutora!

–       Como… Como assim?

Sem mais nem menos, uma flor de plástico presa ao peito do criminoso borrifou um gás esverdeado no rosto de Harleen, fazendo-a cair sentada no chão tossindo sem parar. Coringa apenas gargalhava, ao mesmo tempo em que a visão da doutora se tornava distorcida. Num piscar de olhos Quinzel mergulhou num estado de alucinação em que a única coisa que permanecia nítida diante de seus olhos e dentro de sua mente era a figura do maníaco sobre o qual fizera tantos trabalhos. Não havia mais Arkham, nem internos, nem doutor Burton, nem Gotham City… Apenas o Coringa, que ria, deliciando-se com o que acabara de fazer.

Hipnotizada pelo palhaço, Harleen abriu um sorriso e tentou se levantar, apenas para cair desmaiada, e permanentemente lesada mentalmente, nos braços de Jack Napier. Carregando-a deitada para fora dali, ele exclamou, antes de desaparecer nas sombras do corredor:

–       Tenho algo grande preparado para você, minha querida! Algo grande!

Apenas sua doentia gargalhada permaneceu no ar enquanto se afastava.

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Condado de Castlewood.

Chegara a hora do jantar. Bruce, usando suas costumeiras roupas pretas (camisa, jaqueta e calças), além de sapatos da mesma cor, desceu pela escadaria do hall da mansão, aos pés da qual Wilfred o esperava com um sorriso prestativo na face.

–       Boa noite, Bruce – cumprimentou ele. – Queira me acompanhar, a sala de jantar é por aqui.

Wayne assentiu com a cabeça, seguindo o irmão de seu falecido mordomo por uma porta dupla de madeira. Adentraram um corredor repleto de entradas para outros aposentos, mesinhas com vasos valiosos e um grande quadro numa das paredes retratando a rainha Vitória. Cruzando a última porta, os dois homens entraram na fabulosa sala onde eram realizadas as refeições. A mesa era comprida e estava repleta de pratos deliciosos, seja salgados ou doces. Lustres iluminavam intensamente o local e através das janelas era possível ver parte do jardim da mansão.

–       Queira se sentar – convidou o mordomo, puxando uma cadeira para aquele que considerava um sobrinho. – Lady Elizabeth já deve estar descendo.

–       Eu gostaria de agradecer por tudo que vem fazendo, Wilfred.

–       Não precisa me agradecer por nada, Bruce – afirmou o empregado, colocando uma das mãos no ombro esquerdo do milionário. – Tê-lo aqui é um prazer!

Nisso, uma outra porta se abriu, e Elizabeth adentrou a sala de jantar. É difícil encontrar palavras para descrever o quanto ela estava linda. Trajava um vestido negro, tinha sandálias nos pés e seus compridos e lisos cabelos loiros caíam de forma sedosa por seus ombros como se fossem fios de ouro. A discreta maquiagem que usava ressaltava a beleza de seu rosto, o qual logo esboçou o maravilhoso sorriso que Bruce gravara em sua mente.

–       Gostou de seu quarto? – perguntou a jovem ao hóspede, enquanto Wilfred retirava uma cadeira para que ela se sentasse.

–       Muito, achei extremamente aconchegante – respondeu Wayne. – E esse jantar parece estar divino!

–       E realmente está, os cozinheiros daqui estão entre os melhores do Reino Unido – disse Elizabeth, alargando seu sorriso celestial. – Aliás, recomendo-lhe a carne de faisão, é deliciosa.

Ambos começaram a se servir, sendo que Bruce seguiu o conselho da anfitriã, provando a ave e constatando que realmente era bastante saborosa. Passaram-se poucos minutos e, após um gole de vinho, Elizabeth quis saber, fazendo o norte-americano se lembrar de uma pergunta semelhante feita por Vicky Vale quando eles se conheceram em Gotham:

–       Então, no que trabalha exatamente, Bruce?

–       Bem, as Indústrias Wayne atuam em diversas áreas, com destaque para a produção de tecnologia de ponta – explicou ele. – Na verdade eu não administro diretamente os negócios, não nasci para isso, prefiro deixar tudo nas mãos de um homem de confiança meu chamado Lucius Fox.

–       Eu também odeio mexer com negócios, Bruce! – riu a lady. – Ações, especulação financeira… Isso tudo não combina comigo!

Bruce também riu, e Elizabeth continuou:

–       Minha família possui empreendimentos em várias partes do mundo. Desde extração de matérias-primas a indústrias de ponta… Enfim, eu herdei um império, mas não tenho interesse em administrá-lo. Prefiro continuar aqui em Castlewood, tendo uma vida tranqüila e livre de preocupações relacionadas a dinheiro.

Wayne aquiesceu, pensativo. Ele e Elizabeth tinham muito em comum. Talvez estivesse nascendo ali uma grande amizade, algo vital para que Bruce pudesse superar seus traumas e fantasmas interiores. Feliz por ter descoberto uma pessoa tão graciosa e simpática, o milionário continuou a comer, pensando seriamente em mudar-se para o condado.

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No galpão de Gotham City que estava lhe servindo como esconderijo, Coringa, rodeado por alguns capangas, olhava fixamente para um biombo bege, atrás do qual uma figura feminina de belo corpo trocava de roupa, sua sombra podendo ser observada devido à luz que incidia sobre a superfície semitransparente. Tendo na face um sorriso colossal, o arquiinimigo do Batman perguntou à mulher:

–       Está pronta, amor?

–       Quase, pudinzinho!

“Pudinzinho”. Jack adorara a forma carinhosa como sua mais nova companheira o vinha tratando desde que despertara do sono provocado por seu gás. Alguns diriam que ela agora estava completamente insana, porém Coringa descordava. Ela estava louca sim, mas louca de amor, obcecada pelo criminoso cuja mente estudara com tanta dedicação ao longo dos anos. Ela seria sua amante definitiva, tudo que sempre desejara…

–       Pronto, pudinzinho, terminei! – exclamou a jovem alegremente. – Quer ver?

–       Claro que sim, amor!

Assim ela saiu de trás do biombo, revelando sua nova aparência: o jaleco de doutora cedera lugar a uma veste vermelha e preta idêntica à usada pelos bobos da corte medievais, com uma touca de pontas na cabeça. Tinha toda a pele do corpo, inclusive a do rosto, maquiada de um branco intenso, lábios pintados com um vermelho provocante e um contorno preto ao redor dos olhos azuis, lembrando uma máscara de carnaval.

A respeitada psiquiatra criminal Harleen Quinzel não existia mais. Em seu lugar surgira uma criminosa lunática e um tanto ingênua que atendia agora por apenas um nome: Arlequina (Winona Ryder). Rindo, a assistente do Coringa contemplou seu semblante num espelho que segurava na mão direita, indagando num olhar psicótico:

–       Espelho, espelho meu… Existe palhacinha mais bela do que eu?

–       Não, certamente que não, querida! – berrou Coringa, abraçando o busto de sua amada pelas costas. – Eu a transformarei na rainha de Gotham! Aliás, temos de iniciar os preparativos para que em breve a cidade saiba que eu estou de volta!

Trocaram então um demorado beijo nos lábios, ao final do qual o maníaco voltou-se para seus capangas e gritou:

–       Mexam-se, seus molengas! Temos menos de vinte e quatro horas para que tudo esteja pronto! Amanhã à noite eu direi olá a Gotham, ha, ha, ha, ha, ha, ha!

Gargalhando, o Príncipe-Palhaço do Crime viu seus asseclas começarem a se mexer, ao mesmo tempo em que Arlequina puxava sua cabeça, voltando a beijar-lhe ardentemente a boca.

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Já era quase meia-noite em Castlewood. Após o término do agradável jantar, Bruce subiu até seus aposentos e naquele momento, já de pijama, preparava-se para dormir. A bela e amável lady Elizabeth se recusava veementemente a deixar seus pensamentos. Sentando-se sobre a cama macia, o milionário refletiu acerca de como gostaria de encontrar uma mulher que fosse realmente o grande amor de sua vida…

Mais de uma década antes, ele achou que a pessoa perfeita para si seria Vicky Vale, entretanto ela não conseguiu conciliar as duas verdades sobre sua personalidade… Em suma, ela não conseguiu conciliar Bruce Wayne e Batman. Depois veio Selina Kyle, a Mulher-Gato, a qual Wayne sempre considerara sua alma-gêmea, porém ela decidiu ser impossível ficarem juntos. A doutora Chase Meridian auxiliou Bruce a compreender melhor a si mesmo, mas o relacionamento que tiveram também não durou. O mesmo ocorreu entre ele e Julie Madison, apesar de terem chegado a noivar… Uma decepção atrás da outra, sempre!

Foi então que Bruce lembrou-se do estranho sonho que tivera em Gotham pouco antes de partir, e finalmente cogitou sobre o que ele poderia significar. Um vulto feminino ateava fogo em estátuas de papel que representavam suas antigas amantes… Aquilo simbolizava um novo amor, uma paixão que mudaria sua vida e superaria todas as anteriores. Uma mulher que lhe traria a felicidade tão buscada.

Será… Será Elizabeth? Será ela essa pessoa tão especial que eu procuro há tanto tempo?

Estava quase certo que sim. Ela era uma pessoa incomparável, diferente de todas as outras mulheres com as quais Wayne antes se envolvera. Tinha de conhecê-la melhor. Precisava se esforçar para conquistá-la. Elizabeth devia ter um espaço em seu coração para Bruce assim como ele tinha um espaço em seu coração para ela…

A melhor coisa a ser feita naquele momento pelo hóspede do condado era buscar o reconforto de sua alma com calma, inteligência e serenidade. Dessa forma muito em breve se veria livre de seus traumas…

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