Fanfic: Batman Resigns – Parte 5

bat5Salve salve camaradas leitores do HdG! Estou aqui, em mais uma terça-feira, trazendo o capítulo cinco de Batman Resigns do mestre Goldfield. Pesso-lhes desculpas pelo erro da semana passada, que anunciei AQUELE capítulo como o cinco… Graças ao camarada Fly, a besteira que fiz foi consertada. Então, fiquem com o VERDADEIRO capítulo cinco!

BATMAN RESIGNS

Capítulo V

“Haverá sobre a face da Terra uma pessoa tão perturbada quanto eu? Existirá um ser humano cujos fantasmas interiores o atormentam com a mesma intensidade?”.

Bruce dormiu muito bem aquela noite, contrastando com as madrugadas em claro que vinha passando em Gotham City. A intensa luz da manhã entrava pela janela, e o milionário deduziu serem cerca de oito horas. Sonolento, sentou-se na cama e esfregou os olhos, quando ouviu a porta do quarto se abrir. A figura de Wilfred, sempre de terno e aparentando estar acordado desde o raiar do dia, surgiu na entrada, dizendo enquanto se aproximava para arrumar a cama:

–       Bom dia, Bruce. O café da manhã o aguarda lá embaixo.

–       Obrigado, Wilfred – agradeceu Wayne, levantando-se. – Vou apenas me trocar e já estarei descendo.

A mesa do café era tão farta quanto a do jantar: inúmeros pratos contendo pães, bolos, frutas, tortas, pudins, doces… Sem contar os bules com café, leite, chocolate quente e sucos de variados sabores. Enfim, uma legítima refeição dos deuses.

E, para completar, lá estava ela novamente. Linda, graciosa, amável, divina. Apesar de ter acordado há poucos minutos, o rosto de Elizabeth continuava perfeito, não apresentando qualquer sinal de sono, e seu sorriso estava mais belo do que nunca. A cada segundo Bruce ficava mais encantado por aquela incrível mulher.

–       Bom dia, Bruce – saudou ela. – Dormiu bem?

–       Sim – respondeu o hóspede, servindo-se de café e bolo de chocolate. – Esta mansão me transmite uma paz enorme, com certeza é o lugar perfeito para se viver.

–       Realmente – replicou a jovem mordendo uma torrada e aparentando de certa forma não estar totalmente de acordo com aquela afirmação.

Os dois continuaram comendo em silêncio por alguns instantes, até que a lady, terminando um copo de suco, disse com sua simpatia habitual:

–       Eu estou pensando em andar a cavalo hoje, talvez ir até a cachoeira… É um passeio relaxante, não gostaria de vir também, Bruce?

–       Você deve ler pensamentos, pois eu adoro equitação – sorriu Wayne. – Gostaria muito de acompanhá-la, se for possível.

–       Ora, será um prazer!

Apesar de estarem relativamente distantes um do outro na mesa, Elizabeth e Bruce fitaram-se nos olhos durante vários segundos, até que a herdeira do condado deu uma risadinha e voltou a tomar o café, seguida do milionário, que fez o mesmo. Tinha em seus pensamentos que o momento de revelar sua paixão a ela não tardaria…

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Gotham City.

No galpão, Arlequina estava sentada com as pernas cruzadas sobre um banquinho de madeira, enquanto o Coringa era quem se encontrava, desta vez, atrás do biombo, o qual era o centro da atenção da assistente. Ela podia perceber que o amado trocava de roupa através de sua sombra, até que, de repente, este saltou de trás do obstáculo visual. Usava uma jaqueta suja de sangue, uma máscara de hóquei e tinha na mão direita uma faca afiada.

–       Sexta-Feira 13? – indagou o criminoso, desejando saber a opinião da palhacinha.

–       Não! – discordou ela, balançando a cabeça.

Resmungando, Coringa voltou para trás do biombo, mudando novamente de vestimenta. Três minutos depois regressou trajando um sobretudo preto e óculos escuros, os quais de certa forma combinavam com sua pele branca como giz. Perguntou a Arlequina:

–       Matrix?

–       Também não! – ela voltou a discordar, tendo um dedo na boca.

O maníaco praguejou, retornando ao biombo. Voltou pouco depois com o mesmo sobretudo, somado agora a uma capa da mesma cor e caninos pontiagudos postiços na boca.

–       Drácula?

–       Não, pudinzinho, algo que combine mais com você!

Conformado, Coringa foi mais uma vez mudar a roupa. Desta vez levou mais tempo, e regressou tendo no corpo seu tradicional terno roxo, na cabeça um chapéu de abas largas da mesma cor e nas mãos uma submetralhadora Thompson, bastante usada pelos gangsteres nas décadas de 30 e 40.

–       Poderoso Chefão? – inquiriu, um gigantesco sorriso na face alva.

–       Perfeito! – respondeu Arlequina, batendo palmas e gargalhando. – Perfeito, pudinzinho!

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Era início de tarde, céu azul límpido. Bruce e Elizabeth, vestindo trajes de equitação, cavalgavam há horas pelos belos montes e campos do Condado de Castlewood, um verdadeiro mar verde que compunha uma paisagem campestre fascinante. O homem de meia-idade e a jovem, que montavam respectivamente um cavalo marrom e um branco, ambos puro sangue, pararam num dado momento no alto de uma colina. Depois de passar alguns minutos admirando a vista, a lady perguntou:

–       E então, como é sua vida em Gotham, Bruce?

–       Como assim?

–       Fale-me um pouco sobre você. A respeito de sua vida amorosa, suas amizades…

–       Eu sou um homem que não possui o luxo de ter muitos amigos – respondeu Wayne com certa frieza. – E digamos que eu não seja uma pessoa muito sociável...

–       Compreendo… – murmurou Elizabeth num sorrisinho de leve sarcasmo. – Prefere ficar trancado em casa o dia todo aproveitando o conforto que sua enorme fortuna lhe oferece e com isso acaba se esquecendo que nenhum homem pode viver com uma muralha ao redor de si…

–       Eu não sou esse tipo de pessoa, nunca pensei em gastar meu dinheiro apenas para meu próprio bem! – protestou Bruce. – Na verdade, eu acredito que teria sido mais feliz se houvesse seguido esse caminho… Mas eu quis fazer algo pelos outros, para evitar que o ocorrido comigo não se repetisse com outras pessoas!

–       Mas do que está falando? Os projetos sociais das Indústrias Wayne, sobre os quais já li em jornais e revistas, com certeza não ocupam tanto espaço assim na sua vida…

–       Não é isso… Você não entende, eu… Não posso contar!

Visivelmente atordoado, o órfão seguiu em seu cavalo por uma trilha que descia a colina. Estranhando imensamente o comportamento de seu hóspede e desejando saber mais a respeito da conflituosa personalidade de Bruce Wayne, Elizabeth foi atrás dele, decidindo que seria melhor conversar sobre outras coisas antes de tocar novamente naquele assunto.

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–       Hoje à noite, na Gotham Plaza, o prefeito Chip Shreck fará um pronunciamento cujo assunto principal será o início das comemorações do 217º Aniversário de Gotham City dentro de alguns dias – informou a jornalista da GNN na TV. – Segundo rumores, o governante também se manifestará a respeito do repentino desaparecimento do Batman de nossas ruas. Voltemos agora às últimas notícias sobre o acidente aéreo nos arredores de Star City…

Com um “click” do controle remoto, o aparelho foi desligado, e uma longa gargalhada masculina tomou o ambiente. Coringa ergueu-se da poltrona reclinável forrada com caras sorridentes de palhaço e, voltando-se para Arlequina, que acabara de adentrar o recinto pouco iluminado dando piruetas, ouviu dela a seguinte pergunta:

–       Por que tanta alegria, pudinzinho?

–       Não poderia haver melhor ocasião para anunciar minha volta, amoreco! – respondeu Napier, ensandecido. – O prefeito fará um discurso na Gotham Plaza hoje à noite! Não podemos perder isso de modo algum, concorda?

A assistente deu uma risada de satisfação, beijou Coringa nos lábios e por fim tirou o controle remoto das mãos deste, jogando-se sobre a poltrona num suspiro de alegria. Sentada de forma esculachada, com as pernas caídas sobre os braços do assento, voltou a ligar a TV e, mudando de canal, exclamou numa gargalhada:

–       Enquanto a noite não chega, quero ver os desenhos!

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Após mais alguns metros a galope, Bruce e Elizabeth finalmente chegaram à cachoeira, um dos vários tesouros ocultos nas entranhas do condado, e o milionário norte-americano não poderia imaginar que ela era tão linda quanto diziam: a queda d’água era bem alta, e os raios solares que a atravessavam geravam um inigualável espectro colorido na visão de quem estivesse admirando aquela pintura viva. O som da correnteza despencando e colidindo com as rochas, apesar de intenso, gerava paz sem igual. Sem dúvida aquele era um pedaço do Paraíso que fora esquecido na Terra.

–       Meus pais diziam que, na Idade Média, esta cachoeira era palco de sagrações de cavaleiros – contou a jovem, que descera de seu cavalo e o prendera a uma árvore. – Eu imagino a razão… Eles com certeza se sentiam mais próximos de Deus vindo até aqui…

–       O que houve com seus pais? – perguntou Bruce sem cerimônia enquanto deixava também seu cavalo, notando apenas alguns milésimos de segundo depois que aquela pergunta poderia ser um tanto inapropriada, dada a tragédia em sua infância.

–       Há alguns anos eles se mudaram para Edimburgo, e desde então eu venho tomando conta do condado para eles… Não suportaram continuar vivendo aqui depois do que ocorreu a Emma…

Wayne quase perguntou quem era Emma, mas ao notar uma evidente tristeza em Elizabeth ao mencionar tal nome, preferiu tentar obter a resposta numa outra ocasião. Os dois chegaram mais perto da cachoeira, caminhando com cuidado sobre as pedras úmidas para evitar escorregões. Admirando a beleza do local, a nobre afirmou:

–       É uma pena não termos trazido traje de banho… Seria muito bom retornarmos aqui para nadar antes que o senhor volte para a América, Bruce. Estas águas são incrivelmente relaxantes, tanto para o corpo quanto para a alma.

–       Eu imagino…

Bruce abaixou-se por um momento e tocou a correnteza com uma das mãos, fechando os olhos num demorado suspiro. Velocíssimas, suas mais vis lembranças passaram por sua mente… Ele saía com seus pais do cinema… Um homem armado surgiu das sombras… Dois tiros… O colar de pérolas de sua mãe desintegrou-se, e elas rolaram pelo concreto… O assassino lhe disse uma frase, sorriu e desapareceu na noite…

–       Bruce, você está bem?

Ouvindo a doce voz de Elizabeth, Wayne ergueu-se e começou a fazer o caminho de volta até os cavalos. Antes que a jovem que tanto o encantava pudesse falar qualquer outra coisa, ele disse quase num resmungo:

–       Vamos retornar à mansão, já está escurecendo!

A lady contemplou a cachoeira por mais alguns instantes e seguiu-o.

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Gotham City, nove da noite.

Pelas escuras e mórbidas vias da Cidade das Sombras, com seus traçados irregulares, prédios disformes e estátuas gigantescas, um comboio de furgões nas cores verde e roxa surgira há pouco como do nada e agora semeava o caos entre a população. Enquanto alguns trafegavam nas calçadas apenas para atropelar os transeuntes, outros tinham as portas traseiras abertas, por onde os ocupantes jogavam granadas e bananas de dinamite na direção dos inocentes.

Num deles, Coringa, usando seu traje e chapéu roxos e armado com a Thompson, havia aberto a escotilha no teto do veículo e subido por ela, ficando com metade do corpo para fora. Gargalhando de forma demoníaca, o criminoso disparava rajadas de balas contra tudo e todos nas ruas, tingindo muros e vitrines de lojas com o sangue dos habitantes de Gotham. Num dado momento, aniquilou um casal que saía de um restaurante, deixando o filho, um garotinho de pouca idade que escapara vivo dos tiros, chorando ajoelhado ao lado dos corpos de seus pais.

–       Eu amo esta cidade! – gritou o maníaco, atirando para o alto no ápice de sua euforia assassina.

Gotham Plaza.

Diante de um palanque, centenas de pessoas aguardavam o início do pronunciamento do prefeito Chip Shreck, filho de Max Shreck, grande empresário de Gotham morto catorze anos antes. Logo o governante surgiu saudando a multidão com gestos carismáticos, assim como seu progenitor costumava fazer. Estava seguido de algumas pessoas importantes como o Comissário Gordon e Jane Dent, filha do falecido Harvey Dent, mais conhecido como Duas-Caras, e atual promotora distrital da cidade.

Posicionando-se na frente dos microfones e tendo um enorme sorriso estampado na face, o prefeito acenou para o povo mais uma vez e então iniciou seu discurso:

–       Prezados cidadãos de Gotham City, é com muito orgulho que venho aqui esta noite comentar sobre os preparativos para o 217º aniversário de nossa amada cidade. A prefeitura está investindo alguns milhões de dólares em eventos e, claro, na tradicional parada que ocorre nessa data todos os anos. Convém dizer que este talvez será o mais pacífico aniversário de Gotham em décadas, já que os índices de criminalidade nunca estiveram tão baixos. Alguns diriam que isso foi graças ao Batman, porém eu discordo. O próprio povo de Gotham City lutou para reverter essa situação, e eu posso dormir mais tranqüilo sabendo que esta cidade não mais necessita de justiceiros mascarados para se manter segura. Meu pai morreu por causa desse infeliz indivíduo que se veste de morcego, e muito me felicita a notícia de que ele não é visto há dias. Gotham, sem sombra de dúvida, estará melhor sem ele ou qualquer outro desequilibrado que se ache capaz de fazer justiça com as próprias mãos, pondo em risco nossas vidas e as de nossas crianças. Posso dizer também que…

Nisso, o comboio do Coringa, com os pára-choques e vidros de alguns furgões manchados de vermelho devido aos atropelamentos, surgiu na praça por uma rua. Aqueles que assistiam ao discurso recuaram assustados, ao mesmo tempo em que os veículos paravam e de um deles saía o Príncipe-Palhaço do Crime, sempre rindo, acompanhado da fiel Arlequina. Todos ficaram paralisados com a visão do psicopata julgado morto no final da década de 80, principalmente o prefeito Shreck e o Comissário Gordon.

–       Vocês precisam ver suas caras, parecem estar vendo um morto que voltou à vida! – exclamou Coringa, sempre zombeteiro.

–       O que você quer? – indagou Chip pelos microfones.

–       Ora, apenas encerrar seu discurso com chave de ouro, prefeito!

Dizendo isso, o criminoso retirou de dentro da calça um revólver cujo exagerado cano era do mesmo comprimento de sua perna, idêntico ao que usara décadas antes para derrubar o Bat-wing. Mirando na direção do prefeito, Coringa disparou, e com o recuo da arma acabou se chocando de costas com um dos furgões. A bala atingiu em cheio o peito de Shreck, fazendo-o tombar morto sobre o palanque, terno banhado em sangue.

Isso serviu de estopim para o pânico generalizado na praça. As pessoas, aos gritos, começaram a correr para salvar suas vidas, tropeçando e dando trombadas umas nas outras, enquanto os capangas de Napier abriam fogo com suas submetralhadoras. Excitada com aquela carnificina, Arlequina abraçou o amado de forma sensual e começou a tocá-lo de um jeito provocante, trocando com ele beijos ardentes. Refugiado atrás do palanque, o Comissário Gordon apanhou seu rádio e, contatando seus comandados no QG da polícia, ordenou desesperado, falando alto para sua voz se sobressair entre os tiros:

–       Liguem o sinal, rápido!

Instantes depois, um círculo luminoso tendo no centro o emblema de um morcego foi projetado nos céus de Gotham, enquanto em terra o caos se acentuava de maneira desenfreada.

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Mansão Castlewood.

Noite. Em seu quarto, Elizabeth acabara de sair do banho e agora, de roupão, estava sentada de frente para um espelho passando cremes no rosto. Nesse instante Wilfred adentrou o aposento sem provocar quase som algum, tendo nas mãos uma bandeja com um bule, uma xícara e um prato de biscoitos.

–       Café da noite, milady – disse ele sorrindo. – Sei muito bem que não consegue dormir sem um pouco de leite.

–       Wilfred, você é meu segundo pai – afirmou a nobre amavelmente, voltando a face para o mordomo. – Obrigada, pode deixar aí em cima da cômoda.

–       Está bem.

O empregado colocou a bandeja no local indicado, caminhando em seguida de volta até a porta. Porém, quando estava prestes a sair do quarto, parou subitamente e, olhando mais uma vez para a jovem, perguntou:

–       Milady, permite que eu lhe faça uma indagação?

–       Claro – respondeu ela, desta vez sem tirar os olhos do espelho.

–       O que está achando de nosso hóspede, o senhor Bruce Wayne?

–       Bem… Eu diria que ele é um homem de muitos segredos…

Wilfred assentiu com a cabeça, e logo depois girou a maçaneta da porta.

–       Boa noite, milady.

–       Boa noite, Wilfred – replicou Elizabeth, dando um sorriso que pôde ser visto pelo criado através do espelho.

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Gotham Plaza, cerne do caos.

O Bat-sinal já brilhava há vários minutos no céu noturno de Gotham City, e nada do Batman aparecer. Frustrado, o Comissário Gordon convenceu-se que o Cavaleiro das Trevas realmente abandonara à própria sorte a cidade que lhe fora tão ingrata. Agora todos estavam praticamente indefesos diante da mortal insanidade do Coringa…

Os tiros e gritos prosseguiam na praça, porém com menor intensidade. Talvez quase todos já houvessem morrido, ou então conseguido fugir… Provavelmente um misto das duas coisas. O comandante da polícia ainda se encontrava refugiado atrás do palanque repleto de cadáveres. Pedira reforços, mas a situação estava longe de ser controlada. A balbúrdia se alastrava pela metrópole, e ele tinha de voltar à delegacia para poder coordenar melhor a ação de seus oficiais…

Entretanto, quando pensou em se levantar e correr, ouviu acima de sua cabeça uma voz que fez sua pele gelar:

–       Ah, aí está você! Estamos brincando de queimada, não de esconde-esconde, Comissário!

Seguiu-se uma gargalhada, e um gás borrifado sobre o rosto de Gordon fez com que este perdesse imediatamente os sentidos.

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Minutos depois de ter subido aos aposentos de sua bondosa patroa, Wilfred, já trajando pijama, entrou em seu quarto para mais uma reconfortante noite de sono após mais um dia de trabalho naquela propriedade que tanto amava. Tinha lady Elizabeth como uma filha, alguém do mesmo sangue que o seu, e tinha certeza de que era recíproco. Porém, antes de deitar-se na cama, o mordomo sentou-se diante de uma escrivaninha onde havia um laptop. Abrindo-o, inseriu nele um CD que estava guardado dentro de uma gaveta.

Uma tela surgiu no monitor do computador pedindo a inserção de uma senha para que o conteúdo da mídia fosse revelado. Wilfred já fizera aquilo centenas de vezes ao longo daqueles últimos três anos, e por isso memorizara a palavra-chave: “Peg”, apelido carinhoso de sua falecida irmã. Uma mensagem informou que a senha estava correta, e um arquivo de voz gravado por Alfred Pennyworth em vida começou a ser reproduzido pelo laptop:

Eu tentei todos os endereços que conheço em busca de você, até que finalmente descobri que havia deixado a Índia e voltado para a Inglaterra. Estou rezando para que isto chegue até você o mais rápido possível. Nós temos muito pouco tempo.

Logo depois surgiram no monitor plantas detalhadas do Bat-móvel, Bat-wing, Bat-lancha, entre outros veículos e equipamentos utilizados pelo Detetive das Sombras em sua cruzada contra o crime. Enquanto examinava tudo, ainda com certa incredulidade mesmo após tanto tempo, Wilfred murmurou, pensando alto:

–       Meu amado irmão… Você me confiou pouco antes de sua morte o segredo que guardou durante boa parte de sua vida… Felizmente Bruce está aqui conosco agora, livre dessa maldição. Consegui tirá-lo de Gotham antes que ele se perdesse completamente, e acredito que essa tenha sido sua real intenção ao me transmitir todas estas informações… Você queria que eu salvasse seu garoto, amado Alfred…

E, desligando o laptop, o criado dos Castlewood, entre suspiros, foi finalmente se deitar.

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