GavetaGrid – O primeiro Grande Prêmio da temporada 2011: Austrália

Vida longa e próspera aos leitores do Gaveteiro.com e amantes da velocidade! A temporada 2011 da F-1 começou neste domingo (bem cedinho, inclusive) com um gostinho estranho. Acho que o conceito “estranho” é a correta definição para a sensação experimentada, até porque “diferente” seria pedir demais. Mas calma! Estou falando do comecinho mesmo, pois muita coisa ainda há por vir nas próximas provas.

Esse ano, teremos vários diferenciais em pista (já tratados com mais atenção aqui) incorporados à categoria para viabilizar o show: regra dos 107% (excluindo da corrida os carros mais lentos do sábado classificatório), asas traseiras móveis (facilitando ultrapassagens), KERS (que entrega ao motor do carro a energia poupada nas suas frenagens), pneus Pirelli (com desgaste muito alto), carros 20Kg mais pesados em relação a 2010 para comportar os novos componentes, e tantas outras, mas, na prática, nada mudou nos treinos livres de sexta-feira e no classificatório de sábado.

Explica-se! O que se viu na última sexta-feira e no sábado em Melbourne (Austrália) foi que o ano de 2011 começou exatamente como terminou o de 2010, com a Red Bull possuindo os carros mais rápidos para a classificação, Ferrari e McLaren brigando entre si pelo posto de segunda equipe mais rápida e a Mercedes completando o “quarteto fantástico”, mesmo não sendo tão fantástica assim. No pelotão intermediário é que as coisas embolam um pouco, parecendo que Williiams e Sauber agora estão um pouco à frente das demais Force India, Renaut Lotus e Toro Rosso. Já quanto às estreantes em 2010, tudo parece igual, bem parado, inclusive, já que Team Lotus e Marussia Virgin se esforçaram muito para poder participar da corrida deste domingo, realizada no circuito de Albert Park, enquanto a Hispania arrumou as malas no sábado mesmo, uma vez que estava com ambos os carros com tempo 7% superior ao do líder na primeira etapa da classificação (o alemão Sebastian Vettel), uma penalidade justa para quem não havia sequer testado o seu novo modelo na pré-temporada.

Ou seja, excluídos os fatores sorte e estratégia de corrida, mesmo com todos os novos recursos nos carros e regulamento alterado, quem era rápido continua rápido, quem estava no miolo continua no meio e quem chegava em último continua sendo o “lanterna”, simplesmente o mais do mesmo.

Mas é na corrida que a coisa ficou realmente estranha. Os pneus Pirelli apresentaram um desgaste muito acentuado em alguns carros (Ferraris e McLarens, principalmente), obrigando àqueles pilotos em paradas (pitstops) mais freqüentes para a troca do componente gasto. Pelo visto, serão normais três ou quatro paradas para a troca de pneus durante uma corrida nesta temporada. Levando-se em consideração que um GP tenha uma média de 60 voltas, imaginem a utilização de pneus que só apresentam bom rendimento em 10, que é o caso dos compostos mais macios, ou 20 no caso dos compostos mais duros. De fato, os pitstops a mais incrementaram um pouco o espetáculo com mais trocas de posição entre os pilotos.

Aqui, um pequeno adendo. Eis a forma de diferenciar os compostos utilizados através de cores (bem complicadinha de se ver com o carro em movimento, por sinal):

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VERMELHO (Supermacios): são os mais velozes quando equipados nos carros e com a maior aderência na pista, entretanto, perdem seu desempenho a partir da 10ª volta completada, ficando até 5 segundos mais lentos que um pneu novo.

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AMARELO (Macios): foram os compostos mais elogiados pelos pilotos, duram de 12 a 15 voltas e possuem alta aderência. São um pouco mais lentos que os supermacios.

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BRANCO (Médios): compostos com validade média de 15 a 18 voltas e com baixa aderência. São mais lentos que os compostos anteriores, porém mais constantes no desgaste.

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PRATA (Duros): Se desgastam em 20 voltas, são os mais lentos e com a aderência mais baixa. São também os mais difíceis de aquecer e em estabilidade.

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AZUL (Intermediários): utilizados em pista molhada ou com chuva fina. Em pista seca, se desgastam em duas ou três voltas, perdendo a sua eficiência. Possuem ranhuras laterais para que se evite a aquaplanagem (lâmina de água entre o pneu e a pista).

———————————————————————————————————— LARANJA (Chuva): composto para chuva média e intensa. Possui ranhuras em toda a sua superfície para escoar a água e evitar que o carro derrape. Se desintegram em uma ou duas voltas em pista seca. São também conhecidos como “pneus biscoito”.

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Outro ponto que merece destaque é a combinação de KERS e asa traseira ajustável pelo piloto. A união dos dispositivos criou várias possibilidades de ultrapassagem na reta principal do circuito de Albert Park, infelizmente tais oportunidades foram pouco aproveitadas, deixando a corrida enfadonha. Com as inovações para 2011, o que se esperava era transformar a corrida de F-1, de um jogo de futebol, onde o gol é raro e muito comemorado, em um de basquete, onde os pontos são constantes e dinâmicos (tudo em analogia às ultrapassagens). Certamente, se houvessem trocas de posição semelhantes às vistas na Stock Car Brasil, agradaria mais os telespectadores.

Pois bem, mesmo com a pista seca, a F-1 iniciou 2011 chovendo no molhado, sem grande espetáculo, mas ostentando potencial. A expectativa é que nas próximas provas possamos experimentar as emoções há tempos esquecidas.

Finalmente, a título de mera informação, a chegada se deu com: 1º Sebastian Vettel (Red Bull); 2º Lewis Hamilton (McLaren); 3º Vitaly Petrov (Renaut Lotus); 4º Fernando Alonso (Ferrari) e; 5º Mark Webber (Red Bull). Em relação aos brasileiros, Felipe Massa (Ferrari) chegou na 9ª colocação e Rubens Barrichello (Williams) abandonou a corrida no último terço de prova.

Um grande abraço e até a próxima!

AZUL (Intermediários): utilizados em pista molhada ou com chuva fina. Em pista seca, se desgastam em duas ou três voltas, perdendo a sua eficiência. Possuem ranhuras laterais para que se evite a aquaplanagem (lâmina de água entre o pneu e a pista).
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2 Comentários para “GavetaGrid – O primeiro Grande Prêmio da temporada 2011: Austrália”

  1. Vivi disse:

    Olá!
    Estou gostando muito da coluna nova.
    Você poderia explicar pq a Sauber foi desclassificada, né?
    Só para atualizar a postagem, com a desclassificação da Sauber, o Massa pulou para a 7ª colocação.
    Abraço!

  2. Igor disse:

    Boa Vivi, obrigado pela informação!

    De fato, a Sauber foi desclassificada logo após o termino da corrida do último domingo, tudo por uma ilegalidade estrutural da asa traseira de seus carros (tinham uma inclinação menor que o permitido no regulamento, dando mais velocidade aos seus carros em reta). A Sauber tinha colocado seus dois pilotos em 7º e 8º, que quando desclassificados, cederam a 7ª posição ao brasileiro Felipe Massa, que havia terminado em 9º.

    Como eu postei a coluna logo após a corrida, esse fato ainda não havia acontecido.

    Abraço a todos!

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