
RPG. Esse é um assunto que eu gosto muito e não toquei por aqui ainda. Sendo um completo viciado no bom e velho D&D e, em decorrência de certas mudanças que virão, talvez seja hora de eu começar a dar um gostinho ao pessoal sobre as minhas preferências no que toca o Todo Poderoso D20.
Pra começar, uma breve explicação para os leigos no assuto. Um cenário de RPG é o que pode ser explicado como o mundo onde se passa a história. O cenário de O Senhor dos Anéis é a Terra-Média. O cenário de O Príncipe da Pérsia é uma Babilônia fantástica. O cenário de Matrix é o futuro pós-apocaliptico da nossa própria Terra. O suficiente para explicar o conceito, certo?
Reinos de Ferro é um cenário originalmente publicado em inglês e traduzido para língua portuguesa pela espetacular Jambô Editora, “dona” também de outro cenário de RPG de grande renome (e gerador de incontáveis controvérsias), o nacinal Tormenta. Criado por Brian Snoddy e Matt Wilson, Reinos de Ferro é um cenário que leva o próprio nome à sério. E quando digo sério, quero dizer armas-na-sua-cara-e-robôs-à-vapor-sério. Para você simplesmente ler um livro desse cenário, você tem que limpar a fuligem e pólvora que cobrem suas páginas e torcer pra não quebrar os dedos só por virá-las.

CHARGE, motherfuckers!
Esse é inegavelmente um cenário de machos faladores de palavrão e bebedores de uísque. O termo Fantasia Forjada em Metal (do original Full-metal Fantasy) grafado na capa dos enormes tomos é totalmente apropriado. Mas chega de puxação de saco. Vamos ao que REALMENTE significa essa tal de fantasia forjada em metal.
O planeta se chama Caen. O mundo conhecido se restringe a uma massa de terra cercada de perigos por todos os lados conhecida por seus habitates como Immoren Ocidental. À leste temos um deserto inimaginavelmente perigoso conhecido como “As Planícies da Pedra Sangrenta” (sugestivo, não?), à oeste e ao sul, o mar marginalmente navegável e um arquipélago dominado por mortos-vivos, liches-de-ferro e um dragão tão poderoso que é praticamente um deus na terra e emana radiação (ou “corrupção dracônica“) pelos poros chamado de Toruk, Pai dos Dragões. E ao norte, uma massa de terra congelada e desprovida de vida. O que as planícies à leste tem de quente e perigosas, o norte tem de frio e perigoso. E no meio disso tudo, um punhado de reinos divididos por disparos de canhão e campos de trincheiras sem fim, onde espingardeiros, Gigantes-de-Guerra e magos de batalha se matam em maior número cada dia que passa.
Não é exatamente um mundo no qual você gostaria de tirar umas férias, mas é certamente um mundo que você gostaria de ir para chutar umas bundas, dar uns tiros e fumar uns charutos enquanto faz isso.
As nações de Immoren Ocidental estão em um processo acelerado de revolução industrial. As cidades se entulham de pessoas, o proletariado como Marx e os malditos comunas nos apresentaram começa a dar as caras, e os reinos atuais surgiram após uma luta terrivelmente sangrenta contra conquistadores de além mar que, ao serem expulsos, queimaram as cidades, salgaram os campos e envenenaram as fontes. Chaminés vomitam mais fumaça a cada dia que passa e o conflito interno promete ser tão terrível quanto as ameaças externas. Não só soldados armados com espadas e rifles povoam os campos de batalha, mas enormes autômatos de metal movidos à vapor chamados de Gigantes-de-Guerra e os magos com o talento necessário para controlá-los também. Como dito previamente, ao entrar nesse cenário você começará a respirar pólvora e comer metal.
As raças tipicamente encontradas na fantasia foram vastamente modificadas ou simplesmente excluídas aqui. Humanos e Anões parecem os mesmos, apenas mais sujos e nervosos. Os Elfos saem da “perfeiçãozinha” Tolkeniana para serem um povo condenado à extinção pela morte de seus deuses e consumidos pela vingança e xenofobia. Meio-orcs, halflings, meio-elfos entre outros são completamente inexistentes. Temos aqui os Ogrun, gigantes e poderosos, completamente focados em sua honra e nas juras que fazem, chegando ao ponto do fanaticismo. Os Trollóides são a versão mais social dos temíveis Trolls comedores de carne das histórias, um povo ligado aos costumes e possuidores de dons vocais tão poderosos que podem arrancar carne dos ossos. Os Góblins assumem o papel de “raça pequena com talento pra mecânica maluca” de outros cenários, acabando de vez com os malditos Gnomos. Eu nunca poderei agradecer o suficiente aos criadores do cenário por isso. Por fim, os Elfos Nyss, também conhecidos como Elfos do Inverno, são um povo bárbaro e nômade, também totalmente afastados da concepção tolkeniana de elfos. São verdadeiros lobos das estepes congeladas do norte, predadores naturais naquele terreno.
Passando para religião e política, os Reinos de Ferro são simples e diretos. Poucos reinos, poucas divindades, mas todos extremamente bem delineados, com suas características próprias e originais. Os reinos talvez não sejam tão originais assim, afinal podemos facilmente remeter Khador à União Soviética dos tempos da Guerra Fria e Cygnar como os “bonzinhos americanos sorriso-colgate” de sempre. Isso pode ser meio irritante às vezes, considerando que todo material que sai parece apontar cada vez mais Cygnar como “bastião da moral e modo de vida ordeiro e benigno”. Mas nada que uma leve subversão do material oficial não resolva… Como dito em um dos próprios suplementos do cenário: “Material oficial? Que vá oficialmente para o inferno!”
Pelo menos as características de todos os reinos são extremamente coerentes internamente, todo material é muito bem desenvolvido e escrito. Tanto o material original quanto a tradução estão impecáveis, dá gosto de pegar aqueles livrões de quase um quilo e “devorar” o material. As ilustrações dá todo o clima de como será o jogo e as regras foram bem desenvolvidas, cumprindo seu objetivo o máximo possível dentro do D&D.
Gosta de histórias de Dark Fantasy com clima de Primeira Grande Guerra, completo com trincheiras, canhões e máquinas de destruição à vapor? Então não consigo recomendar o cenário Reinos de Ferro o suficiente.
Inicialmente, quaisquer neófitos que queiram começar a jogar RPG nesse cenário terão que colocar as mãos no Guia de Personagens dos Reinos de Ferro, no Guia do Mundo e, talvez, no Monstronomicon, além dos livros básicos do D&D. Não é exatamente um investimento barato, infelizmente. Mas eu, como jogador e narrador do sistema e cenário, além de jogador hardcore, digo que pra mim valeu MUITO à pena.

- Este é o típico cenário onde os piratas são mais fodões que os ninjas, primariamente pelo fato dos segundos não existirem e os primeiros terem robôs-gigantes-à-vapor-anfíbios.


novembro 12th, 2009
Aiken Frost
Postado em 






Bem legal. Algumas coisas me lembram Warcraft.
tenho boas lembranças de quando joguei nesse cenário,
mto violento huauhauh
otima matéria
@Tarta:
- O cenário é porreta mesmo, cara. Mas não acho que lembre tanto Warcraft não. A tecnologia de Reinos de Ferro é bem menos maluca e não é só coisa de góblin, apesar dos baixinhos verdes se darem muito bem com ela.
@Anderson:
- Pô, se consegui agradar alguém que conhece o cenário, então é sinal que não vacilei na matéria, hehehe.
Ah, só pra complementar: todas as imagens da matéria foram feitas por Andrea Uderzo. Recomendo que visitem o perfil dele no DeviantArt, tem cada coisa espetacular.
http://www.andreauderzo.deviantart.com
RdF é um dos cenários mais violentos que existem, e um dos melhores de se jogar D&D. Eu como um fã declarado do bom e velho 3D&T (o modelo mais simples de se jogar rpg, não posso deixar de citar… TORMENTA OWNS!
PS: Piratas sempre serão mais fodões que ninjas, porque eles tem a barba tr00e e falam “ARGH!!!” : )
Fodasso, Da pra ter uma visão do cenário bem bonita com esse resumo…
Achei muito inspirador esse trecho:
“Não é exatamente um mundo no qual você gostaria de tirar umas férias, mas é certamente um mundo que você gostaria de ir para chutar umas bundas, dar uns tiros e fumar uns charutos enquanto faz isso.”
Sinistro xD.
ae aiken,uma pergunta.
existe o rpg do warhemmer ? Ja ouvi um zitribilhao de jente perguntando a mesma coisa.
flow abraço
Falaê, Gabriel.
Existe sim, cara. Nas duas versões inclusive, o “Warhammer Fantasy Roleplay”, sobre o cenário em versão “medieval” e o “Rogue Trader”, que traz a versão do cenário de Warhammer 40k.
Ambos possuem sistemas próprios e o WFR inclusive é conhecido por ser um dos jogos mais impiedosos e de alta letalidade.
caralho,vlw aiken.
precisava dessa noticia,pq o jogo de pc é fodidaço.
agora saber que da pra jogar em rpg,fiquei feliz ccom a noticia.
vlw aiken um grande abraço
É, mas você vai ter que suar um pouco. É meio difícil de encontrar os livros do WFR. O Rogue Trader já é mais fácil.
se eu nao achar, eu continuo no bom e velho d&d
Escaneia pra galera os livros plz, por enquanto estou sem dinheiro pra comprar os livros, eu comprei a primeira aventura fogo das bruxas, mas eu queria muito os livros guia do mundo e guia do jogador. consegui o mosntronomicom na net já.
Plz…